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Semana passada, o Ministério da Saúde divulgou estudos que mostram que a obesidade dentro da população brasileira alcançou o índice de 15,8%, sendo que quase metade dos brasileiros está com sobrepeso. Se comparado com países como os EUA, Chile ou Argentina, esses números não assustam tanto assim, mas são realmente preocupantes, dado as recentes mudanças em nossa economia e sociedade.

Muitos encaram tal questão apenas como problema de saúde pública, apontando a necessidade de campanhas para alertar sobre a obesidade e o sobrepeso. No entanto, não acredito que a questão seja tão simples assim. Não quando a indústria alimentícia é tão poderosa e tem grande parcela de culpa na situação da saúde dos brasileiros. Não podemos deixar de pensar que a cultura alimentar está inserida dentro do sistema capitalista. Com a agricultura industrial, alimentos altamente calóricos, mas de baixa qualidade nutricional são produzidos em grande quantidade, a preços baixíssimos.  Comer porcarias processadas nunca foi tão barato e agora com a ascensão da chamada classe C, o processo de “engorda” da população é inevitável, a não ser que algo seja feito dentro da sociedade e na forma como pensamos a alimentação.

De nada adianta campanhas falando de uma alimentação melhor e da necessidade de exercícios, se o apelo do marketing é mais forte. Comer pizza congelada e beber refrigerante representam o consumo de algo que, até então, estava acessível apenas para classes mais abastadas. Para os mais pobres, impressionados pela propaganda com rostos saudáveis e bonitos, entrar nessa lógica de consumo representa deixar a margem da sociedade e se inserir definitivamente na lógica do sucesso econômico. Ao colocar a lasanha pronta no microondas, o indivíduo se afirma como membro pleno da sociedade de consumo. Aqui, os significados são os mesmos da compra de roupas de grife (em trocentas prestações) ou do seu primeiro carro zero (mesmo que este lhe traga o stress do congestionamento).  E se você vai contra tudo isso, é taxado de chato, hippie, alternativo, etc.

E se o estado tem o poder de mudar isso, não o faz, dentro de uma lógica do liberalismo brasileiro. É que as relações que permeiam os atores envolvidos apresentam elementos contraditórios assustadores. Aqui, no que tange a regular a indústria alimentar (e sua propaganda) e incentivar a agroecologia, o estado deve ser mínimo, pois representam amarras ao crescimento econômico. No entanto, para o agrobusiness e na agricultura industrial, o estado deve estar mais presente, incentivando com uma série de subsídios, disfarçados por isenções fiscais e outras formas de apoio. Dessa forma, o leviatã deve estar presente quando interesses de poucos estão em jogo e não quando a sociedade mais precisa dele.

Nesse cenário, resta à sociedade civil se organizar para pressionar governos para que a indústria não seja tão irresponsável. Ao mesmo tempo, é importante buscar alternativas dentro e fora da lógica de mercado. Nesse sentido, devemos ser subversivos, retomando em nossas mãos o poder sobre nossa alimentação. Na prática, isso representa plantar e cozinhar mais (experimentando mais e descobrindo que existe vida além da comida pronta), fugir das grandes redes de varejo, se organizar em cooperativas de consumo, conhecer o pequeno produtor agrícola e seu produto, buscar formas de baratear a boa comida (mas sem explorar quem o produz), resumindo, devemos ser pró-ativos, criativos e não aceitar bovinamente o que a indústria quer que aceitemos: que a vida moderna não nos permite buscar uma alimentação de qualidade, mais saudável e mais gostosa, que não existe alternativa.

Ao fim e ao cabo, a questão da obesidade (e sobre a alimentação) não é um problema apenas de saúde pública, mas também econômica e política. A responsabilidade por uma sociedade menos doente, menos obesa também é nossa e não devemos esperar da boa vontade da indústria e do estado.

4 Responses to “Obesidade não é apenas problema de saúde pública”

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