Entrega em domicílio:
Posts
Comments

Banana

Uma das críticas que ouvimos quando falamos de organismos geneticamente modificado é que esta coloca em risco a diversidade agrícola. Mas  por que ela é tão importante? Se tivermos uma variedade de um determinado legume, verdura, cereal ou fruta, e esta tiver alta produtividade, já não é o suficiente para alimentar as pessoas? Quais as consequências para o ser humano dessa falta de diversidade?

Bem, não conheço muito bem ecologia para responder as consequências para o meio ambiente, da falta de biodiversidade reinante atualmente na agricultura, principalmente a industrial, de grandes latifúndios de monocultura. Mas posso dizer que quando apostamos em apenas um cultivar de um determinado vegetal, nós estamos fazendo uma aposta muito alta e, se perdemos, as consequências podem ser até catastróficas.

E o predomínio de certos cultivares está aí, muito presente na grande agricultura: a soja e o milho, com as Roundup Ready da Monsanto; entre os tomates, o Santa Cruz é a preferida pelos grandes fazendeiros devido a sua alta produtividade, sua longevidade (e por isso, apelidade de tomate longa-vida) e resistência no transporte (mas com o gosto de nada); e as bananas com as variedades Cavendish, como a nanica.

O caso desta última fruta é bem interessante (e assustador). Apesar de existir centenas de variedades de bananas espalhadas pelo mundo, um cultivar em particular, a Gros Michael, dominava as plantações, principalmente na América Latina. Desde a segunda metade do século XIX até a primeira metade da XX, essa banana foi o principal produto de exportação de países de América Central (o termo “República de Bananas” foi cunhado pelo escritor americano O. Henry enquanto morava em Honduras) e abastecia as cozinhas dos EUA e Europa. Até que veio o Mal do Panamá.

Causada por uma cepa extremamente patogênica do fungo Fusarium oxysporum, ataca bananeiras, matando-as rapidamente. Além disso, ele se propaga rapidamente, pela água, ar, maquinários e insumos agrícolas, podendo destruir plantações inteiras em pouquíssimo tempo. Acredita-se que sua origem seja no Sudeste Asiático, mas seu registro mais antigo é de 1876, na Austrália. Em 1920, a doença chegou em Honduras, na época, o maior produtor mundial de bananas. O que se seguiu foi uma crise generalizada, arruinando agricultores e todos que dependiam dessa fruta. Na década de 60, o fungo acabou com todas as plantações de Gros Michael ao redor do planeta, fazendo com que esse cultivar fosse praticamente extinta. Na segunda metade dessa década, uma outra variedade, o Cavendish, conhecido no Brasil como nanica substituiu o Gros Michael, transformando-se na banana mais produzida no mundo, por ser mais resistente a essa doença.

No entanto, nem a banana nanica está a salva. Uma nova cepa do fungo F. oxysporun, chamada de “raça 4” tem atacado plantações na Ásia e já tem registros de ocorrências na Austrália e África do Sul. Especialistas dizem que é questão de tempo para chegar nas Américas. E esses mesmos técnicos estão correndo contra o tempo para conseguir uma variedade a prova dessa cepa, usando tanto hibridização quanto técnica molecular (transgênicos). O problema é que a reprodução das plantas não se dá por sementes, mas por mudas, e elas são sempre cópias das plantas-mães. Ou seja, não existe variedade genética. Aí entra a necessidade de maior diversidade agrícola. Como foi dito acima, a banana nanica é o cultivar predominante, tanto em países exportadores quanto no Sul e Sudeste do Brasil. E apesar da raça 4 atacar todas os cultivares do grupo da Cavendish (grupo AAA), existe 10 outros diferentes de bananas, de acordo com a repetição do genótipos de dois tipos de bananas selvagens (Musa acuminata e Musa balbisiana). E acredito que, quanto maior a diversidade, menores as chances de uma determinada cepa de uma praga destruir uma cultura.

E até agora falamos apenas de bananas, que já é uma fruta muito importante para muitas sociedades, inclusive sendo uma base de carboidratos para diversos povos. Imagine se algo parecido acontece com a soja ou o milho, duas das culturas mais consumidas no mundo, não apenas como alimento humano, mas também animal? Nós estamos falando de commodities onde existe o predomínio de pouquíssimos cultivares e sempre protegidas por patentes. As consequências de uma praga tão destruídora quanto o mal do Panamá, em uma determinada cultura, seriam catastróficas. Os preços desse commoditie atingido subiriam como foguetes. Os preços das carnes e todo alimento industrializado que utilizasse tal grão subiriam. Num segundo momento, devido a uma corrida para outros grãos e outras outras fontes de alimentos, TUDO aumentaria de preço também. Isso pode significar a morte de milhões de pessoas, que não teriam acesso a comida devido a um aumento súbito do preço.
Daí a necessidade de manter uma diversidade mínima de cultivares de uma determinada cultura, algo que quase impossível em um regime de agricultura industrial. Fortalecer a pequena propriedade policultora é uma forma que pode nos garantir essa diversidade. Ao mesmo tempo, devido a natureza do manejo, possibilita uma maior proteção a pragas e, ao mesmo tempo, aumenta a diversidade nas fontes de renda desse agricultor.  Em tempos em que se fala de mudanças climáticas e segurança alimentar, o caso do mal do Panamá é um excelente indicativo do que a agricultura industrial pode nos fazer.

Mas já que falamos de bananas, que tal uma rabanada com bananas caramelizadas? Receita simples e bem rápido.

Rabanada

Ingredientes (para 2 pessoas)
- 4 fatias de pão
- 1 ovo grande
- 100 ml de leite
- 1 colher (sopa) de açúcar
- baunilha, em fava ou essência (a gosto)
- 2 bananas em fatias grossas
- 2 colheres (sopa) de açúcar mascavo
- um pouco de manteiga, para untar.
- 2 colheres (sopa) de manteiga
- canela em pó (a gosto)

Preparo
- Em um prato fundo misture o ovo, o leite, o açúcar e a baunilha.
- Em uma frigideira quente, coloque um pouco da manteiga para untar.
- Passe os pães na mistura de ovo com leite e  frite na frigideira até dourar dos dois lados.
- Repita o procedimento com o resto do pão.
- Enquanto isso, derreta o açúcar mascavo nas 2 colheres de manteiga. Acrescente umas 3 colheres de água.
- Acrescente as bananas ao açúcar.
- Cubra os pães com essa banana caramelada.
- Acrescente canela em pó a gosto.

2 Responses to “Por que diversidade agrícola é tão importante? O caso da banana”

  1. Pedro disse:

    Gostei muito do artigo!! Criei um artigo sobre os beneficios da linhaça e pensei ser muito util a voce para ficar a conhecer os Beneficios da Linhaça para a saude http://saudeuniversal.info/beneficios-da-linhaca/

  2. Paula disse:

    obrigada por ser esclarecedor! sempre quis saber porque havia tanto debate sobre diversidade agrícola.
    só nao esperava pela receita de rabanada, to passando vontade…

Leave a Reply