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Ela não come nada que tenha glúten, elemento presente no trigo, cevada, centeio e aveia. Não que ela tenha entrado na moda recente de dietas sem essa proteína. Na verdade, ela NÃO pode comer glúten. Simplesmente, ela tem doença celíaca, uma patologia autoimune que afeta o intestino delgado, dificultando a absorção de nutrientes, sais minerais e água por esse órgão.

E como é a vida de alguém com a doença celíaca? Não é exatamente fácil. Tem que ler os rótulos de cada produto que compra no supermercado, mesmo daqueles que, seguindo a lógica, não precisa de nenhum cereal com glúten. Isso acontece porque ele é excelente estabilizante e por isso usado como aditivo na indústria alimentícia. Outro problema é que, muitas vezes, essa mesma indústria utiliza os mesmos meios de transporte, instalações e maquinários para preparar tanto alimentos com glúten, como os sem.  Por isso, já encontrei glúten até em canjica.

Além disso, alimentos tão básicos como pão ou macarrão são proibidos para quem tem essa doença, a não ser que sejam feitos com farinhas de cereais que não contenham glúten, como arroz, milho, batata ou sorgo, o que é bem raro no mercado. A solução, muitas vezes, é fazer tudo em casa, controlando rigorosamente cada ingrediente que entra na cozinha.

E foi por causa da doença celíaca que apresentei as cozinhas do Sudeste Asiático a ela. Nessa região do continente, trigo é um cereal pouco utilizado, geralmente em pratos com influência ocidental ou indiano. Aqui, o que domina é o arroz, usado não apenas cozido em grãos, mas também na forma de farinha para o preparo de massas, doces e outras delícias. Obviamente que não lhe falei para trocar toda sua dieta para pratos vietnamitas, thai ou khmer, mas apenas para acrescentar mais ao seu repertório gastronômico. Além disso, acho interessante como as cozinhas desse subcontinente tem tantos elementos em comuns com a cozinha brasileira, uma vez que dividem o mesmo tipo de clima, utilizando ingredientes tão  conhecidos por nós como leite e água de coco, coentro (Coriandrum sativum), manga, mamão, urucum, mandioca, etc. Um caso curioso é do coentro-bravo (Eryngium foetidum), ingrediente nativo do Brasil, porém pouco conhecido pelos brasileiros urbanos mas imensamente popular no Vietnã. Lógico, eles também usam produtos poucos comuns por aqui como molho de peixe, limão kaffir, galangal ou perila (apesar dessa última ser encontrada em jardins e praças e tidas, muitas vezes, como erva daninha).

E para começar, que tal um curry tailandês? Aliás, a Tailândia é conhecida por ter uma variedade razoável de curries, muitas vezes enriquecido com leite e creme de coco, e tão apimentado quanto os equivalentes indianos.  Entre as variedas encontradas no Brasil nós temos o curry vermelho, verde e panang (se alguém encontrar o amerelo, massaman e khing, me avise). E que tal um curry tailandês vermelho com camarões?

Foto: Julina Diehl

Curry tailandês vermelho com camarões

Ingredientes:
- 200 gramas de camarões médios, limpos
- 50 g (cerca de 2 colheres de sopa) de curry tailandês vermelho (as marcas mais comuns em São Paulo são o Mae Ploy e o Thai Kitchen)
- 400 ml de leite de coco
- 1 cebola pequena, picada
- 200 gramas de berinjela, picada em cubos de 2 cm.
- 2 folhas de limão kaffir
- 1/2 colher (chá) de galangal moído
- 2 colheres (sopa) de molho de peixe
- 1 pimenta dedo-de-moça picado em rodelas
- 1/2 colher (sopa) de açúcar de palma (ou mascavo)

Preparo:
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Em uma panela média, refogue rapidamente  os camarões em duas colheres de óleo vegetal. Retire os camarões com uma escumadeira.
- No mesmo óleo, refogue o curry até ficar fragrante. Acrescente a cebola e continue a mexer.
- Acrescente o leite de coco, a berinjela, as folhas de limão kaffir, o galangal e o molho de peixe. Cozinhe até a berinjela ficar macia.
- Coloque os camarões de volta na panela e acrescente o açúcar.
- Apague o fogo e coloque a pimenta.
- Sirva acompanhado de arroz (de preferência, jasmin).

Foto: Juliana Diehl

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