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Veja a primeira parte do post aqui.

3. Onde já existe agricultura urbana?

Para quem mora em uma metrópole brasileira e tem, talvez, menos do que 50 anos de idade, o conceito de agricultura urbana na cidade deve soar estranho. No entanto, plantar alimentos na urbe não é algo novo. De fato, várias formas de cultivo existiram ao longo da história, principalmente em períodos de escassez. Existe registros de aproveitamento de resíduos domésticos e reuso da água para plantio em áreas urbanas em várias civilizações antigas, como a persa e a inca. Hortas sempre foram as soluções encontradas em cidades em períodos de fome, como na Alemanha do século XIX ou na China, durante e após Revolução  Cultural.

Propaganda dos EUA, durante a Primeira Guerra Mundial

Durante a Primeira e Segunda Guerra Mundial, a população dos países envolvidos cultivavam alimentos onde dava, uma vez que boa parte da produção era destinada aos esforços de guerra. Nos EUA, Reino Unido e Canadá, hortas plantadas em jardins das casas eram chamadas de victory gardens e era incentivadas pelo governo, tanto para alimentar a população como propaganda para inflar o patriotismo. Ao final de Segunda Guerra, só nos EUA, 20 milhões de “victory gardens” produziam 40% de toda a comida consumida no país. A situção era mais crítica no front, onde o isolamento das áreas urbanas forçavam seus habitantes a plantar o que desse, onde desse (aliás, provavelmente essa situação deve ser normal em qualquer situação de guerra, em qualquer período da História). Minha avó, chegou a plantar batata doces em terrenos de Tóquio durante a Segunda Guerra, e segundo meu pai, não resultou numa boa produção de tubérculos, obrigando a sua família a comer as folhas da planta.

Na escola, aprendemos uma distinção entre urbano e rural, e sempre nos ensinam que é na segunda que se produz alimentos. No entanto, nem sempre foi assim. Sempre ouvi histórias sobre como as pessoas mantinham galinhas para ovos ou carne e até mesmo porcos em casa; ou como se plantavam uma árvore ou outra pelas frutas; ou como era comum cultivar um legume ou outro no quintal dos fundos. Esse estranhamento com a produção de alimentos é fenômeno recente e tem relação direta com o verticalização das cidades e consequente adensamento, bem como uma certa aversão ao rural, ao “não civilizado”, ao caipira ignorante que cultiva a terra (pensem em quantas vezes você viu uma criança já dizer que queria ser fazendeiros quando crescer).

Sim, cultivar alimento nas cidades é mais comum do que você pensa. E ainda acontece tradicionalmente nas Américas, no África, na Ásia, na Europa… Mas para o habitante da metrópole, ainda é algo distante, fruto da mente de ecochatos hippies. Mas quando ando nos municípios da Grande São Paulo, como Suzano, onde vejo plantações de alfaces a menos de 3 km do centro da cidade, não vejo pessoas falando em modo de vida alternativo. Vejo pessoas bem humildes plantando para obter renda, para alimentar suas famílias. Longe de ser algo alternativo, é o ÚNICO meio de vida.  Agrícultures urbanos que já era “verdes” antes de tudo isso virar moda.

4. Agricultura urbana ou como saber de onde vem minha comida

Deu para perceber que a agricultura urbana já é uma realidade e sempre esteve presente na História. Então por que não vemos plantações de frutas e legumes por aí? Ou ouvimos o barulho de um galinheiro em cada esquina? A modernidade nos trouxe uma cisão enorme entre o rural e urbano, criando uma dicotomia entre o antigo e o moderno. O sujo e o limpo.  O ignorante e o intelectual. O campo, o não-cidade é apenas espaço para lazer esporádico, para uma pausa do cotidiano, um lugar para o exótico e estranho. A cidade atual é o anti-rural (repararam como os donos de SUVs são obsessivos com a lavagem de seus carros?), e repele tudo que lembre o campo, inclusive a agricultura e a pecuária.

Dessa forma, colocar a mão na terra, sentir cheiro de galinheiro,  carregar estrume é algo distante demais para o indivíduo urbano. Mesmo o ato de cortar um pedaço de alecrim de um vaso e colocar no prato mostra bem como esses cheiros e sabores é algo que representa uma exceção no seu cotidiano de pratos feitos, glutamato de monossódio e comida de microondas (Ervas dão um frescor incrível! Foi recém colhido!)

Em nossa ânsia de ficar longe do rural, esquecemos saberes importantes para a sobrevivência, como produzir alimento (na verdade, nem sabemos de onde a comida vem).  Fazemos perguntas cretinas (tomate é fruta ou legume?) como se não tivéssemos aprendido isso no ensino fundamental. Por isso não queremos saber a origem do que comemos. Não queremos saber como a comida é cultivada/criada. Mas, felizmente, tem gente que insiste em nos lembrar que a comida vem da terra e é necessário que alguém o produza.

(continua)

5 Responses to “Agricultura urbana: seus alimentos produzidos bem perto de você – Parte II”

  1. amanda disse:

    eu quero que vcs me dão a resposta disso. grandes parte dos alimentos produzidos na agricultura se perde e vai para o lixo. Identifique dois procedimentos humanos associados a esse desperdício.

  2. amanda disse:

    eu quero saber a resposta………. grandes parte dos alimentos produzidos na agricultura se perde e vai para o lixo. Identifique dois procedimentos humanos associados a esse desperdício.

  3. bia disse:

    e me ajudou em alguma coisa :) :( ;D

  4. karine disse:

    eu quero que vcs me dão a resposta disso. grandes parte dos alimentos produzidos na agricultura se perde e vai para o lixo. Identifique dois procedimentos humanos associados a esse desperdício.

  5. Eu aprecio esta informação, eu estou pensando o que fazer mais com meus dias de férias e isso ajuda.

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