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Para o triunfo do mal, basta que os bons não façam nada

Frase atribuída a E. Burke

Como um ato tão simples como se alimentar pode adquirir conotações políticas? Por que aquilo que como pode representar (ou mesmo definir) aquilo que penso ou acredito? Para alguns, pode parecer estranho que comer seja um ato político, afinal, é algo tão trivial e cotidiano. Todos nós devemos nos alimentar, ingerir nutrientes, para que possamos manter as funções mínimas do corpo. Lógico que existe o caráter cultural. A alimentação se dá dentro de um sociedade, de uma cultura (conceitos complementares, porém não iguais), isso (quase) todos sabem e, com certeza, não preciso provar tal idéia. E por estar inserido dentro de uma cultura, o ato de comer representa as relações de poder dentro de qualquer sociedade. Basta verificar os alimentos acessíveis para determinados grupos, seja por questões econômicas ou legais, e poderá observar as relações de dominação entre tais grupos.

Um exemplo: na Europa, durante a Idade Média, era normal que a caça fosse permitida apenas para a nobreza. Dessa forma, aquilo que era considerada as carnes nobres (cervo, faisão, coelho, etc) era interditada aos servos, excluindo os estamentos dominados da sociedade. Do mesmo jeito, as relações de poder definem o que comer, também pode definir como e quando comer. Ainda é normal que, em determinadas regiões da Índia, as mulheres comam depois dos homens, evidenciando a posição feminina dentro da sociedade. Bem, há aqueles que podem argumentar que a segregação alimentar é o resultado da opressão política, e não o contrário. De fato, essa esposa indiana come após seu marido, é devido ao sexismo, ou seja, é uma manifestação de uma relação de dominação.

Mas existe também aqueles que usam a própria comida como instrumento de dominação, política ou econômica. A dieta americana seria um desses instrumentos, dentro de seu soft power, como um dos tentáculos usados para extender seu poder cultural. Nada novo aqui, afinal, governos ao redor do mundo, da França a Argentina, passando pela Coréia do Sul, utilizam suas culinárias dentro de suas políticas de promoção cultural.

Mas podemos ir além. A sociedade também pode pensar a comida como instrumento político. Vegetarianos e vegans já fazem isso ao utilizar sua própria alimentação como arma contra aquilo que julgam ser uma forma dominação. Pessoas, consumidoras de carne ou não, tentam de vários jeitos, uma alimentação com menor impacto no meio ambiente. Outros, através de suas escolhas, lutam contra uma dominação tanto da indústria alimentícia ou química (leia-se Monsanto), buscando opções consideradas mais éticas, como produtores locais, orgânicos ou plantando sua salada. Existe até pessoas que buscam total independência e auto-suficiência, produzindo o máximo que podem para comer, o que alguns acham um exagero. Um exemplo seria os freegans, que adotam um discurso crítico em relação ao consumo e a sociedade capitalista, e uma de suas facetas é a produção de alimentos em hortas e jardins comunitários, alem da coletas em feiras e lixeiras (você se surpreenderia com o que se pode achar no lixo de restaurantes e padarias). Enfim, as opções estão aí. Basta um fuçada na internet para ver ações que, mesmo que não seja assumido no discurso, tem um fundo político no simples ato de se alimentar.

Alguns chamam isso de votar com o garfo. Creio que é mais do que isso. Quando optamos por um produtos orgânicos e/ou local, feito de um jeito mais ético, estamos participando de uma forma mais direta nas relações políticas e econômicas que permeiam a sociedade. Não querendo menosprezar a democracia representativa; creio ainda que tudo que fizermos, escolhermos ou pensarmos tem sempre como pano de fundo relações políticas. Existe aqueles que tem um discurso de negação da política, mas hoje em dia, ficar fora desta é impossível. Sim, você pode comer o que quiser, sem se preocupar com forma como o alimento foi produzido, quais são suas implicações dentro da sociedade. Mas mesmo assim, você estará fazendo uma escolha.

2 Responses to “Comer como ato político”

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  2. Akemi disse:

    Sobre os vegans… Respeito as decisões deles e até admiro aqueles que se tornaram vegans por causa dos maus tratos aos animais ou alguma outra razão (mesmo gostando de produtos de origem animal), contudo, acho ridículo que tentem impor tal condição para outras pessoas. Querendo ou não, algumas proteínas só são encontradas em fontes de origem animal e são essenciais para o funcionamento do nosso organismo. Também acho ridículo pessoas que são quase carnívoras criticarem os vegans por sua decisão. Sobre o site, adorei a forma como escreve e achei as matérias incríveis *-* Começarei a acessar com mais freqüência ^^

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